DATA: 2021-01-08 16:59:50


O impacto da Covid-19 nas lideranças do mercado segurador na América Latina

Fonte: Nicole Fraga - Revista Apólice

De acordo com um estudo elaborado pela Russell Reynolds Associates, o setor poderá sair mais forte da pandemia ao investir em novos produtos e tecnologia.

A pandemia mostrou que quase nenhuma empresa ao redor do mundo possuía planos de contingência que incluíssem protocolos de segurança para uma crise sanitária. Isso exigiu dos líderes a rápida tomada de decisões. Este cenário fica claro no resultado dos estudo “O impacto da Covid-19 sob as lideranças do mercado segurador na América Latina”, realizado pela consultoria Russell Reynolds Associates.

O estudo contempla entrevistas com mais de 25 líderes da indústria de seguros, visando compreender as tendências emergentes no mercado para a América Latina pós-pandemia. Na conversa, os lideres destacaram as competências necessárias para navegar nestes tempos incertos e as ações que as seguradoras estão tomando para montar as equipes prontas para competir nesses mercados. Entre os executivos entrevistados estão representantes de subsidiárias regionais de multinacionais, seguradoras independentes, seguradoras de propriedade de bancos locais (bancassurance), bem como seguro local e internacional e corretores de resseguros.

Uma das tendências apontadas pelo estudo é que, devido à crise sanitária, muitos consumidores estão mais abertos a aprender sobre produtos de proteção securitária (por exemplo: vida, saúde, residencial). Por conta da queda na média da renda da população, as pessoas também estão procurando por produtos mais econômicos. Segundo Fernando Machado, consultor da Russell, as seguradoras que investirem em campanhas publicitárias e no desenvolvimento de novos produtos podem atrair esse público. “Mesmo com a população ganhando menos, houve uma alta da percepção da necessidade de estar protegido. São em momentos como esse que o seguro é fundamental, por isso devemos espalhar o conhecimento sobre os seus benefícios”.

Outro ponto abordado na pesquisa é a alta na digitalização do setor. Com o distanciamento social, as seguradoras tiveram que desenvolver novas formas de se comunicar com os segurados, vendo-se obrigadas a investir em canais digitais. Algumas organizações estão implantando modelos de plataforma sob demanda, aproveitando sites e mídias sociais. “Acredito que, mesmo no pós-pandemia, o consumidor de seguros ainda não irá adquirir uma apólice somente de forma online. Entretanto, os processos passarão a ser, mais do que nunca, digitalizados e isso trará um aumento de produtividade nas companhias, que poderão utilizar o tempo gasto em burocracias para focar em outros aspectos”, diz Machado.

O estudo destaca também que a pandemia colocou em evidência a realidade de lenta adoção de tecnologia pelas seguradoras da América, exceto pelas insurtechs, que foram criadas em novas plataformas de tecnologia. De acordo com o consultor, para que o setor continue inovando será necessário um investimento significativo em análise de dados avançada, aprendizado de máquina e inteligência artificial. “Quando pensamos em tecnologia não basta apenas que ela seja implementada nas soluções de atendimento ao cliente com o objetivo de impulsionar as vendas e a capacitação digital, mas também nas funções de back office para reduzir os custos operacionais e aumentar a eficiência”.

A pesquisa também abordou como os reguladores podem adotar medidas que promovam mais concorrência no mercado e atraiam mais players. No Brasil, por exemplo, as regulamentações mais recentes são voltadas para a digitalização, visando apoiar as insurtechs através da desburocratização do negócio. “Quando você regula com o objetivo de aumentar a competição, trazer inovação e a entrada de players no mercado isso acaba diminuindo o custo da operação e do produto final, o que é benéfico para o setor, que poderá aumentar sua penetração, e para o consumidor, que acaba pagando menos para estar protegido”, afirma Machado.

Segundo Machado, nesse momento delicado, as lideranças devem implementar ações que foquem na sustentabilidade do negócio e entregar uma proposta de valor que esteja ligada com o seu segmento de mercado. “Para isso, você deve ser um exemplo para sua equipe, tendo a capacidade de desenvolver cada colaborador e criando um ambiente de trabalho de excelência mesmo a distância. Uma forma de fazer isso é identificar as competências dos funcionários e os gaps. A partir daí, o gestor pode elaborar um plano para o desenvolvimento dessas pessoas e oferecer treinamentos, o que com toda certeza irá auxiliar positivamente nos resultados da companhia”.

Imprima