RETRATO DA INCLUSÃO DIGITAL NO MUNDO

Responda, leitor: Qual é o país com maior grau de desenvolvimento das tecnologias da informação e das comunicações no mundo? Quais são as nações que oferecem a seus cidadãos maior grau de acesso às tecnologias de infocomunicação? Como estão as nações do mundo em matéria de inclusão digital?

Quem responde a essas questões com precisão é a União Internacional de Telecomunicações (ITU) : o campeão mundial de inclusão digital é a Suécia, seguida pela Dinamarca, Islândia, Coréia do Sul, Noruega e Holanda. Até há pouco era muito difícil saber como estava o mundo em matéria de acesso às novas tecnologias. Mas, graças ao trabalho da União Internacional de Telecomunicações (ITU), já se pode fazer um diagnóstico muito mais confiável da realidade mundial nesse campo, com dados confiáveis e critérios universalmente aceitos.

A partir de quarta-feira passada, os estudiosos contam com um estudo e um indicador baseado não apenas em dados da infra-estrutura tecnológica, mas também no poder aquisitivo, nos níveis de educação e nos preços relativos dos serviços de quase duas centenas de países.

Que é DAI? – O novo indicador é chamado de Índice de Acesso Digital (DAI, sigla do inglês Digital Access Index) e resulta de um estudo de âmbito mundial realizado pela União Internacional de Telecomunicações, agência especializada das Nações Unidas.

O DAI mede de forma transparente a possibilidade de acesso dos cidadãos de cada país às tecnologias de infocomunicação, conhecidas internacionalmente pela sigla ICT, de Information and Communications Technologies, que incluem, entre outras, as tecnologias de telecomunicações, computadores e serviços de internet. O autor do estudo é Michael Minges, diretor de marketing, economia e finanças da ITU.

O novo indicador combina diversas variáveis, cobrindo cinco áreas, de modo a fornecer uma nota de avaliação para cada país. As áreas são: 1) disponibilidade de infra-estrutura, como, por exemplo, a existência de telefones fixos, celulares e computadores; 2) poder aquisitivo do usuário, em especial diante dos custos do acesso aos serviços; 3) nível educacional; 4) qualidade dos serviços de infocomunicação; e 5) uso da internet.

Ao analisar as condições sócio-econômicas e tecnológicas de cada país, o estudo e os levantamentos feitos para se chegar ao DAI servem também para mostrar os pontos fracos e fortes de cada sociedade quanto ao acesso digital.

O DAI é, na realidade, um número. Para a Suécia, ele é 0,85. Para o Brasil, 0,50. Para a China, 0,45. Para o Paquistão, 0,24. Para Angola, 0,11. E para o Níger, 0,04. O indicador revela algumas surpresas, como a posição da Slovênia, que está em 10° lugar, no mesmo patamar que a França, Itália e Nova Zelândia, com o índice 0,72. A maior surpresa positiva foi a da Coréia do Sul, com 0,82, ao figurar em terceiro lugar, juntamente com a Islândia, na lista dos países com maior grau de utilização das tecnologias digitais, bem à frente dos Estados Unidos, país classificado em 6° lugar.

Brasil, 28° -- Diferentemente do que se tem divulgado, o Brasil está em 28° lugar, e não em 65° no rank digital da União Internacional das Telecomunicações. Embora nessa lista classificatória, estejam à frente do Brasil 64 países ou territórios, muitos deles estão empatados em diversos dos 27 degraus ou patamares que antecedem a posição brasileira, aliás, a mesma ocupada pela Rússia, México e a Ilha de Maurício.

A lista dos países classificados tem quatro níveis ou grupos: o superior, o alto, o médio e o baixo. No primeiro grupo estão as nações mais desenvolvidas, lideradas pela Suécia, Dinamarca e Coréia do Sul. No segundo grupo, estão nações como Irlanda, Espanha, Grécia, Portugal, Argentina, Uruguai, Brasil, Rússia, México e Chile. No terceiro grupo, alinham-se países emergentes ainda com menor inclusão digital, tais como a Turquia, Venezuela, África do Sul, China, Líbia e Tunísia.

No quarto grupo, o dos países mais pobres quanto às tecnologias digitais, estão, entre outros, Síria, Zimbábue, Nicarágua, Uganda, Ruanda, Moçambique, Burundi, Etiópia e o mais pobre de todos, o Níger, na África, que só dispõe de um telefone para cada 223 pessoas.

Três causas– Os estudos que levaram ao indicador mostram que a simples disponibilidade de tecnologia ou de infra-estrutura não basta para garantir melhor grau de inclusão digital. Na pesquisa, 40% dos peruanos ouvidos disseram que, mesmo que ganhassem de presente um computador, não teriam como pagar os custos mensais do acesso à internet. No Brasil, milhões de pessoas gostariam de ter telefone fixo, mas não poderiam pagar sequer a assinatura básica residencial de R$ 35 ou mais.

“Até agora, pensávamos que as limitações de infra-estrutura fossem a grande barreira para a inclusão digital” – diz o autor do estudo, Michael Minges. "Nossa pesquisa mostra, contudo, que o poder aquisitivo e a educação são, talvez, fatores ainda mais importantes. No caso da educação, o exemplo chinês é perfeito, pois, naquele país, metade dos usuários da Web tem nível universitário.”

Reunião mundial – O índice criado pela ITU é parte integrante do Relatório sobre o Desenvolvimento das Telecomunicações Mundiais, que será lançado na abertura da Reunião Mundial para a Sociedade da Informação, a ser realizada em Genebra, de 10 a 12 de dezembro, com a presença de quase uma centena de chefes de Estado e mais de 200 especialistas.

O estudo inclui os maiores projetos de infocomunicação, tais como o da Cidade da Internet (Dubai Internet City) de Dubai, nos Emiratos Árabes Unidos, que são a nação árabe de maior grau de inclusão digital. Ou ainda o Super Corredor Multimídia da Malásia, que também tem o maior índice de desenvolvimento digital das nações em desenvolvimento da Ásia. Um caso também interessante é o da Ilha Maurício, no Oceano Índico, que desenvolve o projeto chamado Ciber City.