DATA: 2018-03-07 14:42:36


Mercado segurador pressiona governo por agenda específica



Fonte: DCI

O mercado segurador pressionará o governo pelo andamento das agendas regulatória e de microrreformas em 2018. Após pequeno avanço de 3,2% em 2017 contra 2016, previsão é que novos produtos e maior preparo tragam alta de dois dígitos para o setor em 2019.

“O objetivo é fazer com que as autoridades priorizem uma agenda que permita ganho ao setor no curto e médio prazo”, comenta o presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg), Marcio Coriolano em evento promovido pela confederação.

Desde o ano passado a CNseg já pressionava para que a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e o próprio Ministério da Fazenda trouxessem o marco regulatório e colocassem em andamento medidas para sustentar o crescimento e de solvência do setor.

O mau encaminhamento da situação fiscal do País e até mesmo as dificuldades para aprovação das reformas no Congresso, porém, adiaram as medidas voltadas ao mercado e ainda trarão volatilidade em 2018.

Segundo Coriolano, o pouco espaço que sobra na agenda legislativa pode ser compensado com as microrreformas.

“O governo não pode esquecer que há assuntos de seguros que contribuem para a questão fiscal e que a pauta microeconômica não necessita de projeto legislativo para acontecer. É um cardápio importante de medidas, mas que ainda depende de vontade política”, acrescenta.

Além do produto de segurança no trabalho e de garantia – bastante comentado com a possível implementação da nova lei de licitações –, os executivos ponderam questões regulatórias de capitalização e a melhoria nos seguros de saúde – que ainda enfrenta dificuldades.

Para Coriolano, a depender da direção dada aos assuntos por parte das entidades regulatórias e fiscalizadoras, o crescimento do setor pode alcançar os dois dígitos a partir do ano que vem.

A arrecadação total do mercado em 2017 – sem contar saúde suplementar – somou R$ 247,1 bilhões, alta de 3,2% em relação ao ano anterior (R$ 239,3 bilhões).

“Há muito a ser feito. O crescimento da nossa indústria estará sempre limitado pela capacidade do País de incluir mais pessoas no mercado e da própria recuperação econômica. A expectativa é que as escolhas de 2018 levem a um crescimento melhor em 2019”, complementa Coriolano.

Ramos Elementares

Um dos fôlegos deve vir dos ramos elementares, principalmente nas apólices de automóveis – que mostraram quedas significativas na crise, ante aumento de preços e sinistros.

“Apesar da alta sinistralidade, nós esperamos que as atitudes a favor da segurança pública e o fortalecimento do auto popular ajudem a trazer preços e crescimentos mais compatíveis com as expectativas”, avalia o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), João Francisco Borges da Costa.

Segundo dados da Susep, desde sua implementação em dezembro de 2016, os prêmios diretos do seguro auto popular cresceram mais de 500% até o final do ano passado, de R$ 23,9 mil para R$ 148,1 mil.

Além da maior abrangência que o seguro traria para o mercado, a expectativa é que a aderência do auto popular também contribua no combate à venda de proteção veicular, produto vendido por administradoras e considerado ilegal, uma vez que não é regulado pela Susep.

“Com as novas fronteiras que as fintechs e o on-line têm trazido, temos trabalhado fortemente contra o mercado marginal que, inclusive, já começa a atuar em diversos setores”, pontua o superintendente da Susep, Joaquim Mendanha de Ataides.

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