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DATA: 2010-07-30 11:14:51
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Bradesco surpreende e ações saltam
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O lucro ajustado de R$ 2,455 bilhões reportado pelo Bradesco no segundo trimestre de 2010 superou as expectativas dos analistas de mercado. O resultado representou um forte crescimento de 14,3% em relação ao primeiro trimestre e de 23% em 12 meses. Não à toa, a ação preferencial do banco rompeu a máxima histórica no pregão de ontem da BM&FBovespa, com alta de 4,51%, cotada a R$ 32,20. No semestre, o lucro líquido acumulado pelo Bradesco foi de R$ 4,602 bilhões, aumento de 16,4% na comparação com igual período de 2009.
Mesmo com o avanço de 15% da carteira de crédito no último ano, que atingiu R$ 244,8 bilhões, o índice de inadimplência apresentou a terceira redução consecutiva, para 4% em junho, nível previsto para ser alcançado somente no fim do ano. A melhora de qualidade dos empréstimos possibilitou ainda a redução de despesas com devedores em 31% na comparação com junho do ano passado. A combinação de todos esses fatores contribuiu, no fim, para melhorar o índice de rentabilidade do banco, que subiu para 24,7%.
Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, destacou o bom posicionamento da instituição para aproveitar o cenário de mobilidade social. "Nos últimos três anos, dois milhões de clientes migraram das classes D e E para a C", afirmou. Dos atuais 20,6 milhões de correntistas pessoa física do Bradesco, cerca de metade pertence à classe C. "Somos o retrato da pirâmide social brasileira."
Do ponto de vista estratégico, a prioridade do Bradesco é para o crescimento orgânico. Foram conquistadas, nos últimos 12 meses, 1,5 milhão de contas. Estão previstas para serem inauguradas, até o fim do ano, 175 agências - até o momento, foram 22 novos postos de atendimento.
Os sinais de arrefecimento do crédito emitidos pelo sistema financeiro nos últimos dois meses não vão alterar as projeções de crescimento das operações do Bradesco, segundo os executivos do banco. Trabuco inclusive enxerga a acomodação como um movimento saudável. "Foi até bom, pois tira os sintomas de superaquecimento da economia brasileira."
Em pesquisas feitas com cerca de 2,5 mil empresas clientes do banco foi observado um otimismo crescente. No início do ano, 60% das corporações entrevistadas se mostraram confiantes com a economia. No início deste segundo semestre, a taxa subiu para 75%. A intenção de realizar novos investimentos acompanhou o sentimento de otimismo. O percentual de empresas que manifestaram interesse de fazer investimentos passou de 21%, no mesmo período, para 38%.
Da carteira de crédito do Bradesco, chama atenção o segmento de micro, pequenas e médias empresas, que apresentou expansão de 21,4% nos últimos 12 meses. Entre as pessoas físicas, o crescimento foi de 20,7%.
Os financiamentos imobiliários oferecem também uma boa medida da disposição para a tomada de empréstimos nos próximos trimestres. O crescimento para o ano foi revisado de R$ 6,5 bilhões para R$ 7,5 bilhões. "Foram desembolsados no primeiro semestre deste ano R$ 4,2 bilhões para a modalidade, quase o total liberado no ano passado inteiro", disse Trabuco.
Outras áreas de negócios do banco também apresentaram crescimento, como a gestora de recursos Bram, que encerrou junho com R$ 184 bilhões no portfólio, aumento de 15% na comparação com junho de 2009. "Consolidamos o processo de internacionalização da Bram, que já conta com oito fundos internacionais, três deles no Japão, num total de US$ 1,8 bilhão sob gestão", diz o presidente do Bradesco.
O banco de investimento BBI também ocupou espaços importantes. Na renda fixa local, alcançou a liderança, assim como em fusões e aquisições. Na renda variável, ocupa o quarto lugar.
Fonte: Valor Econômico
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