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DATA: 2010-07-30 11:04:57


Bradesco lucra R$ 4,6 bi e supera estimativas

O Bradesco alcançou lucro líquido de R$ 4,602 bilhões no primeiro semestre de 2010. "Esse resultado é 16,4% maior que o do mesmo período do ano passado", declarou o presidente executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, em conferência a jornalistas ontem.

"Vivemos uma economia melhor, mais sólida e promissora. E o front externo não comprometeu a coerência de nossas expectativas", avaliou Trabuco Cappi. De acordo com o presidente do banco, a carteira de crédito cresceu 15% nos últimos doze meses e atingiu R$ 244,78 bilhões, e os ativos administrados avançaram na mesma proporção (15%), para R$ 558,1 bilhões em junho.
Segundo o próprio banco, no critério de ativos, a participação (market share) ficou estável e recuou de 12,67% em maio para 12,65% em junho.

A inadimplência superior a 90 dias caiu pelo terceiro trimestre consecutivo, e ficou em 4%. "Acreditamos que pode cair para uma faixa entre 3,6% e 3,8% até o final deste ano", estimou o vice-presidente executivo do banco, Domingos Figueiredo Abreu. O Bradesco reviu sua expectativa de aumento de recursos para o crédito imobiliário e elevou o montante projetado de R$ 6,5 bilhões para R$ 7,5 bilhões no ano. "Executamos R$ 4,2 bilhões no primeiro semestre. O valor é quase a totalidade dos R$ 4,7 bilhões que realizamos em 2009 inteiro", destacou o presidente do banco. "É a melhor fase da história das construtoras. O cliente pode pagar em 20 anos prestações similares ao valor do aluguel", explicou.
O banco segue com o objetivo de crescer organicamente ao longo do ano. "Devemos inaugurar cerca de 180 novas agências das 250 previstas no cronograma", relatou Trabuco.

Ele deu a entender que houve alguma dificuldade em encontrar pontos estratégicos para as novas agências. "Em razão da concentração do PIB, serão predominantes em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul", citou o executivo. "Mas também atendemos áreas carentes, como a agência do Morro do Cantagalo, entre a Lagoa e Ipanema, no Rio de Janeiro", mencionou o presidente.

A área de seguros manteve-se como o principal segmento formador do lucro da instituição ao registrar lucro líquido de R$ 701 milhões no segundo trimestre. Este resultado é 9,87% superior aos R$ 638 milhões registrados no mesmo período de 2009, mas -0,28% inferior aos R$ 703 milhões alcançados no primeiro trimestre fiscal de 2010.

O presidente do Bradesco explicou essa pequena queda na comparação trimestral. "Parte das reservas técnicas são alocadas em ações", justificou Trabuco, ao referir-se ao fato de a rentabilidade das ações não ter sido boa no semestre.

Domingos Abreu completou as explicações: "O setor de seguros tem apresentado crescimento constante. O mercado tende a aproveitar o crescimento da classe C", afirmou.

Segundo os executivos que apresentaram o balanço, cerca de 2 milhões de correntistas do Bradesco deixaram a classe D, com rendimento mensal de R$ 700 a R$ 1,1 mil, e migraram para a classe C, com rendimento de até R$ 4,5 mil. "Há uma evolução da pirâmide demográfica", avalia Trabuco Cappi.

Abreu informa que cerca de 10 milhões dos 21,9 milhões de correntistas do Bradesco pertencem à classe C. "48,5% dos CPFs dos clientes estão nessa faixa de renda, a mais promissora da economia brasileira", informa Abreu.
Para atender esse segmento o Bradesco espera crescimento entre 32% e 36% do crédito consignado este ano. O banco também reforça outras expectativas. O financiamento de veículos deve crescer de 10% a 14% e o crédito para cartões deve evoluir entre 9% e 13%. Trabuco lembrou que a nova bandeira Elo deve entrar em operação no segundo semestre.

"Mas só a entrada do Banco Ibi contribuiu para que o número de cartões avançasse de 86 para 137 milhões de cartões", afirmou o executivo, ao referir-se a última aquisição da instituição, no ano passado.

Segundo o banco, a carteira de crédito para pessoa física deve avançar entre 16% e 20%, ao passo que a carteira de crédito para pessoas jurídicas deve crescer entre 25% e 29% em 2010.

"Nós fomos o banco que mais fez repasses do PIS [Programa de Sustentabilidade do Crescimento] do BNDES: foram 28 mil operações de crédito", afirmou Trabuco Cappi. "Realizamos 60 mil operações de crédito com R$ 6,1 bilhões em financiamento de modernização de máquinas e equipamentos", detalhou o presidente. "E no programa Pró-Caminhoneiro fizemos outras 62 mil operações de crédito, com R$ 4,6 bilhões", completou Trabuco, sobre as atividades voltadas a pessoas jurídicas.

Questionado pelo DCI sobre a atuação dos bancos estatais, especialmente do BNDES, no crédito corporativo, Trabuco foi cauteloso em sua opinião. "O BNDES tem um papel extraordinário de complementação", disse. "A tendência no médio prazo é recompor a participação dos bancos privados, hoje em 40%, nessa fatia de mercado", previu o presidente do Bradesco.

Trabuco revelou que o banco fez uma pesquisa com 2,5 mil clientes do 1,6 milhão de clientes pessoa jurídica e apontou o otimismo para com o crescimento da economia. "O número de empresários que pretendem financiar novos investimentos subiu de 21% para 38% entre o início e o fim do semestre", revelou Trabuco.

Fonte: DCI


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